EXTREMOS – CÍRCULO DE LEITURA DE FICÇÕES RADICAIS
Leitura de Palomar, de Italo Calvino
Leitores regentes:
José Castello – Escritor, crítico literário, cronista de O Globo
Maria Hena Lemgruber – Psicanalista e educadora
De 5 a 8 de março de 19 às 22h
Entrada franca - Distribuição de senhas 30 min. antes
Espaço SESC Copacabana: Rua Domingos Ferreira, 160 Tel (21) 2547 0156
Dando continuidade à parceria do projeto “Extremos - leitura de ficções radicais” com o Espaço Sesc, convidamos os amantes da literatura para abrirem espaço em suas agendas e compartilharem conosco da leitura de Palomar, último livro de Ítalo Calvino, datado de 1983. Considerado um dos maiores autores da literatura italiana, Calvino nasceu em 15 de outubro de 1923, em Santiago de las Vegas, Cuba . É importante assinalar que o escritor é filho de pais italianos e, apesar de ter nascido em Cuba, é considerado italiano. País onde cresceu e participou da resistência antifascista. Foi membro do Partido Comunista até 1957, quando apresentou uma famosa carta de desfiliação. Seu primeiro livro, escrito em 1947, intitulado “A Trilha dos Ninhos de Aranha” é inspirado na sua experiência na resistência ao fascismo. Do início ao fim de sua vida, Calvino mostra-se um autor ágil e seus escritos, romances e contos traduzem uma certa e muito particular problematização da visão de mundo que parece ter a aspiração de captar o universal, atravessado por sua peculiar reflexão. É nesse contexto que se encontra essa jóia de raro esplendor chamada Palomar, nome de um observatório astronômico durante muito tempo reconhecido como o que continha o maior telescópio do mundo. É justamente o personagem central do livro, cujo nome exibe um signo universal, que nos acompanhará a descobertas que só um ser com tamanha carga de singularidade será capaz de nos encantar e nos incitará a libertar nossas por vezes burocráticas retinas. Em Palomar, podemos vivenciar as palavras de Jacques Lacan no Seminário 18, intitulado De Um outro ao Outro. Diz ele: “A verdade é um fato de memória”. E é com essa verdade que Palomar nos ensina a grandeza da literatura.
Há em Palomar, todo um esforço em se descobrir e se deixar descobrir os prazeres, espantos e afetos que a vida oferece através do parcial que a constitui. A seguir a citação de Ítalo Calvino em seu livro Seis propostas para o próximo Milênio “Descrever uma girafa ou descrever o céu , apliquei-me em encher um caderno com esse tipo de exercícios, deles extraindo depois a matéria de um livro. Esse livro se chama Palomar, e saiu agora traduzido em inglês;é uma espécie de diário sobre os problemas do conhecimento minimalístico sendas que permitem estabelecer relações com o mundo, gratificações e frustrações no uso da palavra e do silêncio.” Uma das indagações sugeridas como possíveis para orientar a leitura de leitura de Palomar pode ser a tentativa de problematizar que efeitos provoca em cada de um de nós leitores o compromisso de liberdade exposto na escrita criativa para cunhar um termo caro a Freud. É com alegria que interrompemos essa breve apresentação desse especial autor e um fragmento de sua comovente escrita.
Até a leitura.
Hena Souza Lemgruber e José Castello
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