Aceitei o convite do Prof. Edmundo para fazer uma seção da Técnica de Alexander e gostei tanto da experiência que resolvi escrever as minhas percepções.
Inicialmente sentamo-nos frente a frente para conversar um pouco, o que me possibilitou falar um pouco de mim e das minhas impressões sobre a bela casa onde se situa a sede do atendimento. Cada cantinho me permitiu resgatar histórias, bem como encantou meu olhar com os ricos detalhes de arte como pisos, portas, tapeçarias, quadros, vidraças etc... sem falar do aconchego da recepção.
Em seguida me deitei na maca e escolhi fechar os olhos para receber melhor o toque generoso das mãos do Professor, que apoiava a minha cabeça, sentindo seu peso, posicionando-a ora para um lado, ora para o outro, até acomodá-la cuidadosamente.
Em continuidade, meus braços pesados começaram a ser movimentados em várias direções, com o movimentos se originando nas articulações dos ombros, para finalmente serem acomodados, com os cotovelos dobrados e as mãos bem apoiadas sobre os ossos ilíacos, os que formam a bacia.
Aconteceu então uma terceira etapa, de toques firmes nos meus pés, que estavam frios e logo se aqueceram, para apoiá-los sobre a maca, com os joelhos dobrados na direção do teto, valorizando o direcionamento da tíbia em relação aos calcanhares.
Foi então que me percebi na posição básica, semi-supina, também conhecida como posição de máximo repouso absoluto da coluna vertebral. Mas a satisfação de estar ali, de forma muito confortável, em nada pode ser comparável à mesma experiência em aula, pois cada parte do meu corpo se encontrava verdadeiramente bem posicionada, preenchida e apoiada, me permitindo aguçar a consciência de cada detalhe daquela posição.
Fica difícil selecionar as melhores palavras para transcrever a exata percepção que tive do meu corpo naquele momento, pois era como se as minhas articulações tivessem sido preenchidas de espuma, ampliando seus espaços. E assim permaneci por alguns instantes, percebendo toda a minha coluna vertebral, minhas escápulas e o total relaxamento, de que tanto o meu corpo estava necessitando.
Finalmente fui orientada a esticar as pernas e os braços, mas confesso que procurei ir saindo daquela posição de forma muito cuidadosa, para não perder uma certa textura que o meu corpo teria adquirido naquela prática.
E qual não foi a minha surpresa ao continuar com os olhos fechados e me perceber enorme, com todas as partes do corpo bem distribuídas sobre a maca, especialmente a larga distância entre os meus ombros, que podia ser percebida também pelo maior apoio das escápulas na maca.
Foi então que me reportei às histórias que me foram contadas por uma colega, também atriz, com a qual encontrei ao chegar ali e tocar a campainha, que me descreveu rapidamente, muito entusiasmada, suas ótimas percepções ao longo de dois anos de atendimento na Técnica de Alexander.
Neste momento sou aluna do Professor Edmundo no Curso de Recuperação Motora e Terapias através da Dança, da Escola Angel Vianna , mas tão logo este trabalho esteja concluído, não tenho dúvidas de que passarei a freqüentar, com assiduidade, esse espaço privilegiado, para poder manter o meu corpo com mais vitalidade, evitando o esforço cotidiano e buscando uma postura melhor e que me ajude a estar em cena com mais presença.
E para finalizar, disse ao Professor Edmundo uma frase que escrevi em 2006 para me apresentar às pessoas e ele então pediu que eu a escrevesse nesse depoimento.
“Eu sou para cada pessoa aquilo que ela acha que eu sou, mas o que para mim importa é o que eu estou à procura de ser e isso eu ainda não sou.”
Angela Delphim - Atriz
Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2009